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Espiritualidade Mariana

Se considerarmos a história de Igreja, observaremos que o culto a Maria é fenômeno constante, de notável amplitude e vitalidade. Veremos a seguir, brevemente, como a espiritualidade mariana se expressa ao longo da caminhada eclesial.
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Por Cônego Marcos Menezes

15 de maio de 2025

Capa - Palavra do Momento - Espiritualidade Mariana

Para nós, católicos, o mês de maio sempre é associado à Santíssima Virgem Maria. “Por graça de Deus exaltada depois do Filho acima de todos os anjos e homens, como Mãe santíssima de Deus, Maria esteve presente aos mistérios de Cristo e é merecidamente honrada com culto especial pela Igreja” nos lembra a Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II, no capítulo que nos fala sobre o culto da bem-aventurada Virgem na Igreja. O Concílio Vaticano II está bem próximo a nós, mas se considerarmos a história de Igreja, observaremos que o culto a Maria é fenômeno constante, de notável amplitude e vitalidade. Veremos a seguir, brevemente, como a espiritualidade mariana se expressa ao longo da caminhada eclesial.


Em 1563, o jesuíta belga P. Lenius deu início à Congregação Mariana, associação de jovens estudantes do Colégio Romano (Roma). A devoção a Maria insere-se no âmbito da vida cristã comprometida, expressando-se na oblatio, em que o congregado escolhe Maria como padroeira, protetora e advogada, e em que se declara servo perpétuo dela. As congregações marianas se difundiram rapidamente, promovendo renovação cristã nos diversos setores da vida social.


A ordem carmelitana oferece, para aqueles que acompanham, uma vida mariforme; o seja, uma vida conforme a vontade de Maria, com uma execução pronta e alegre de tudo o que compraz a Deus e a Maria. A vida em Maria é conversa filial, afetuosa e inocente da alma, respiração amorosa de Maria, mãe super-amavel e querida em Deus. Essa forma de espiritualidade , expressa em termos de vida, não obteve grande difusão, talvez devido à sua orientação mística e contemplativa; é, porém, testemunho interessante da percepção da função de Maria na vida espiritual.


No início do século XVIII, na obra “Tratado da verdadeira devoção a Maria”, São Luís Maria Grignon de Monfort, aperfeiçoa e apresenta a “escravidão de amor”, que consiste na perfeita e completa consagração de si mesmo à santíssima Virgem… ou, em outras palavras, na perfeita renovação dos votos e promessas do santo batismo. Ele tenta introduzir ao catolicismo popular de seu tempo, que esquecera os compromissos batismais, uma devoção a Maria capaz de superar o critério das práticas e de transformar-se em atitude interior e em modo de viver responsavelmente a vida cristã.


Recentemente, encontramos outras formas de espiritualidades marianas que encontram grande destaque na vida da Igreja como as Equipes de Nossa Senhora, um movimento de espiritualidade conjugal, constituído por casais que buscam no sacramento do matrimônio, reunidos em equipe e sob a proteção de Nossa Senhora, um ideal de vivência cristã. Há também o Terço dos Homens, que tem por objetivo fortalecer a fé e resgatar a presença masculina na Igreja, através da oração e da meditação da Palavra… o Movimento de Schoenstatt, com a Campanha da Mãe Peregrina… o terço da Mulheres…


Como vimos, as diferentes formas de espiritualidade mariana sempre estiveram presentes na vida da Igreja. Em 1974, Paulo VI, no escrito apostólico “Marialis Cultus”, descreve Maria como “espelho das esperanças dos homens de nosso tempo” e nos lembra que Maria deve ser venerada com culto biblicamente fundado, ecumenicamente responsável, liturgicamente orientado e correspondente aos homens de “hoje”. Um ótimo mês de Maria a todos.

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